domingo, 8 de novembro de 2009

FOTOGRAFIA: ESPELHO OU RECORTE DO PASSADO?

Toda fotografia é um testemunho segundo um filtro cultural...

Boris Kossoy

Uma das possíveis dificuldades ao trabalhar com a fotografia em sala de aula é interpretá-la como mera ilustração ou ainda como a representante fiel de uma determinada realidade histórica. Vivemos num mundo fortemente marcado pelas representações visuais, desse modo, nada mais comum do que sermos levados pela imagem contida numa fotografia e acreditarmos que ela reflete uma determinada realidade.

É preciso então aos professores e aqueles que pretendem exercer a docência parar e se questionar: o que é a fotografia? Ela reflete o passado ou apenas é um recorte desse? Para desenvolver essas questões busquei auxílio em alguns autores que lidam com tais problemáticas, para chegar às minhas próprias conclusões acerca do assunto.

A fotografia em sala de aula passa a ter sentido para o ensino quando trabalhada como linguagem e como documento histórico. Segundo Vygotsky[1], a linguagem é a união da palavra ao pensamento, ou seja, é uma forma de representação da realidade. Se desenvolvermos nosso raciocínio considerando a afirmativa de Vygotsky veremos a fotografia e qualquer outra iconografia como representação do passado.

Boris Kossoy[2] trabalha em seu livro Fotografia e História a idéia da imagem como recorte, como seleção. Para ele: “A imagem fotográfica é o que resta do acontecido, fragmento congelado de uma realidade passada, informação maior de vida e morte ...” ou seja, a fotografia é apenas um fragmento, uma pequena parcela do acontecido. Isso porque, ela é o resultado de diversas interferências. Interferência do mecanismo tecnológico utilizado, que pode alterar a qualidade e a visibilidade da imagem, interferência do objeto fotografado, que naquele dia poderia estar diferente do habitual e interferência do fotógrafo, que assim como o pintor e como o historiador, seleciona o que vai mostrar e o que vai omitir, de acordo com suas motivações e seus objetivos.

Assim, podemos enquadrar a fotografia como documento histórico e seguindo as discussões de Jacques Le Goff[3], podemos até mesmo dizer que a fotografia por possuir historicidade e assim sofrer influência do tempo e do espaço em que fora produzida é um documento-monumento. E enquanto documento histórico não pode simplesmente ilustrar uma realidade ou refleti-la tal como ela se constituía. Desse modo, para fazer uso desse documento é preciso o mesmo rigor historiográfico necessário para analisar uma fonte escrita ou qualquer outra.

É preciso fazer ressalvas para desenvolver trabalhos com fontes iconográficas. É necessário ressaltar os objetivos do fotógrafo, a função daquela fotografia e mesmo as motivações e as características pessoais que o autor daquela imagem possuía.



[1] FONTANA, Roseli A. C.; CRUZ, Maria Nazaré da. Psicologia e Trabalho Pedagógico. São Paulo: Atual Editora, 1997.

[2] KOSSOY, Boris. Fotografia e História. Editora Ática.

[3] LE GOFF, Jaques Le . História e Memória. Campinas, EDUNICAMP, 1996.

Bem vindos ao História e Arte com Aliny Dayany

Este é um ambiente que busca discutir questões ligadas à História, especialmente à História Política recente no Brasil, à Arte e também à educação.
Minha proposta é democratizar o conhecimento e colocar à disposição dos outros o que penso sobre algumas questões históricas, sobre produções artísticas (dentro do campo da História da Arte e atuais) e sobre experiências educacionais.
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